PT EN
Quero Visitar Quero Expor

Todas Notícias Voltar

Estudo apresentado pela FIESC mostra os desafios da reciclagem em Santa Catarina

Publicado em 29/10/2018 - 12:15  

Thumb post image

Um mapeamento feito pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), reunindo entrevistas sobre coleta seletiva, triagem, revenda e recuperação de todo o estado, mostra que a separação correta dos resíduos representa um importante desafio para melhorar a cadeia catarinense de reciclagem. Foram identificados a necessidade de ampliar e implantar a coleta seletiva nas cidades, falta de profissionais qualificados, informalidade do setor, elevada carga tributária, alto custo do frete e necessidade de equipamentos para modernizar as atividades, além da falta de políticas públicas. O estudo foi apresentado agora, no mês outubro, na reunião conjunta da Câmara de Qualidade Ambiental e do Comitê Estratégico de Logística Reversa da entidade.

A pesquisa foi executada pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL/SC), com o apoio do SENAI e Engie, por iniciativa do Plano de Sustentabilidade para a Competitividade da Indústria Catarinense. O objetivo foi realizar um diagnóstico da cadeia de reciclagem no estado, mapeando os atores e as principais distorções e oportunidades relativas à gestão da logística reversa. A FIESC analisou 73 questionários respondidos por empresas catarinenses que compõe os elos da cadeia: coleta seletiva, triagem, revenda e recuperação, que trabalham com papel ou plástico. Foram identificadas a origem e o destino dos materiais, estrutura, gestão tecnológica e capacidade instalada.

O processo inicia na coleta seletiva com o transporte de resíduos sólidos recicláveis retirados em indústrias, condomínios, centros urbanos e comércio. Os centros de triagem são formados por associações de catadores e instituições que fazem a separação do resíduo por tipo (papel, plástico, vidro e metais) e o material fora de condições de reuso é descartado. A revenda faz a ligação entre os centros de triagem e os aparistas ou empresas de recuperação, que tem a função de separar em detalhe os tipos de materiais como polímeros plásticos, metais ferrosos e a classificação de papéis por tipo. Na etapa de recuperação é feita a aquisição de resíduo pré-selecionado e a recuperação de matéria-prima reciclada.

O diagnóstico identificou três tipos de fontes de resíduos: pós-consumo doméstico (domicílios e pontos de entrega voluntários), não-doméstico (varejo) e pós-consumo industrial (aparas e sobras do processo produtivo). O mapeamento foi apresentado pelo coordenador do Comitê Estratégico de Logística Reversa da FIESC, Albano Schmidt, que destacou o trabalho da entidade para criar uma logística reversa eficiente. “Santa Catarina é um exemplo em desenvolvimento econômico, descentralização, tratamento dos mais diversos resíduos. Somos exemplo por acabar com os lixões e na busca por soluções para o lixo da construção civil. Estamos virando referência em várias áreas e queremos ser assim em relação à logística reversa”, enfatizou.

Dados da pesquisa mostram que 50% das empresas consultadas são microempresas, 35% pequenas e 15% de médio porte. Dos resíduos que as empresas compram, 23% vêm do pós-consumo doméstico, 24% do pós-consumo não-doméstico, 29% do pós-consumo industrial (resíduos de embalagens de insumos já descartados) e 24% de aparas da indústria. 28% das entrevistadas recuperam material ferroso, 24% material não-ferroso, 8% tetrapack, 16% plástico, 4% vidro, 4% cobre e latão e 4% materiais usados no setor da saúde. 23% utilizam esteira de separação, 22% fazem manualmente, 11% recebem o resíduo separado, 11% separam em máquinas, 11% utilizam mesas de separação, 11% mesclam a forma de separação e 11 já recebem o resíduo separado do cliente.

O estudo apontou pontos a desenvolver como programas e campanhas de educação e conscientização da população para a separação adequada e destinação correta dos resíduos recicláveis; implementar e ampliar a coleta para todos os municípios catarinenses em parceria com catadores, cooperativas e prefeituras; valorizar os resíduos recicláveis e os produtos com conteúdo reciclável; criar mecanismos de incentivo, do cidadão consumidor até o reciclador.

Fonte: FIESC